Espaços, demografia africana e doenças, Rio de Janeiro, 1810-1840: propostas digitais

  • Tânia Salgado Pimienta Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - PQ2. Fundação Oswaldo Cruz - Casa de Oswaldo Cruz https://orcid.org/0000-0002-9042-7133
  • Ana Beatriz Lamego Viana Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Universidade de São Paulo https://orcid.org/0009-0004-6901-2605
  • Flavio Gomes Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - PQ1B. Universidade Federal do Rio de Janeiro - Instituto de História https://orcid.org/0000-0002-9042-7133

DOI:

https://doi.org/10.19137/qs.v30i2.9727

Palavras-chave:

escravidão africana, mortalidade, doenças , cartografia

Resumo

Este artigo analisou os padrões de mortalidade da população africana escravizada no Rio de Janeiro, relacionando suas identidades, os tipos de doenças e as conexões com as ruas e a cartografia urbana da cidade do Rio de Janeiro. Com base em uma abordagem das Humanidades Digitais, foi realizado um exercício metodológico sobre os espaços e locais onde a população escravizada era vendida, bem como sobre os indicadores de doença e mortalidade. Em parte, este estudo dialoga com pesquisas anteriores sobre a escravidão urbana no Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX, também baseadas em registros de sepultamento e fontes seriadas da Santa Casa de Misericórdia. Os resultados permitiram relacionar as taxas de mortalidade não apenas com as flutuações do tráfico transatlântico, mas também com a cartografia dos ambientes urbanos e com as identidades e doenças das diferentes gerações africanas.

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Publicado

2026-05-09

Edição

Seção

Dossier