Um eu plural para um universo referencial. Autorreflexão, imagem autoral e transreferencialidade borgiana em duas canções de Javier Krahe
DOI:
https://doi.org/10.19137/anclajes-2026-30310Palavras-chave:
Javier Krahe, Jorge Luis Borges, Canção, Poesia, Análise literáriaResumo
O cantor e compositor espanhol Javier Krahe (1944-2015) reconheceu em várias ocasiões Jorge Luis Borges (1899-1986) como uma de suas principais influências. Juntamente com os outros dois autores dos seus “três bes”, Georges Brassens (1921- 1981) e Luis Buñuel (1900-1983), ele adota e adapta muitos dos seus mecanismos discursivos característicos na sua própria obra. Em duas canções especialmente notáveis, o autor não apenas torna explícita essa influência, mas também a tematiza: “...Y todo es vanidad” (Corral de cuernos, 1985) e “Matilde Urbach” (Querencias y extravíos, 2007). A primeira é uma canção autorreflexiva em que a referência a Borges permite a Krahe ampliar a reflexão autoral para o metadiscursivo; a segunda é uma homenagem construída sobre um desdobramento transreferencial que recupera, reelabora e reinterpreta a obra do argentino. Para abordar este estudo, propõe-se a relação da tipologia da transreferencialidade com os estudos autopoéticos e autorais, no quadro geral das relações musicais e literárias.
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